Atlas

2015

O belga Gerard Mercator (1512-1594), cartógrafo, filósofo e matemático do século XVI. O seu maior sucesso no campo intelectual, de relevo para a história da humanidade foi o seu trabalho na construção de um mapa mundo com o objectivo de ajudar a navegação marítima (1569). Para a construção deste projecto reuniu e compilou diversos mapas já existentes num objecto que viria a mudar a forma como se lê o mundo. A esta compilação designou-a de Atlas, em homenagem ao rei Atlas da antiga Mauritânia, astrônomo e filósofo que supostamente terá construído o primeiro globo celeste. O desafio que Atlas encetou contra Zeus, não é diferente da- quele que eu tenho imposto à fotografia. Ainda sem a derrota à vista, mas já com semelhante castigo, também eu suporto às costas, não o mundo como Atlas, mas um desafio hercúleo e sem horizonte. A responsabilidade de construir um mundo de imagens e definir as suas respectivas regras.
Atlas é também o nome de um dos titãs da mitologia grega. Quando este desafiou os deuses do Olimpo, Zeus e os seus aliados, não contava com a sua derrota e com o castigo que Zeus lhe impôs. O castigo não foi brando, teve de suster nos seus ombros para sempre as esferas celestiais. Apesar de ter como castigo suportar as esferas celestiais, Atlas surge muitas vezes representado (em especial a partir do século XVI) com um globo terrestre às suas costas. 
Tal como num mapa, as coordenadas dadas são apenas um ponto de referência de um determinado local. Apesar de um mapa ser uma ajuda importante para referenciar ou orientar, não contêm toda a informação que uma determinada área tem para oferecer. Essa informação está para além da observação superficial e referencial. Cabe a cada um ir mais longe, cruzando e relacionado os diversos elementos que integram este mundo, de forma a construír o seu próprio trajecto no campo das sensações e emoções. 
Apesar de ser um mundo com supostas regras, estas também servem para serem quebradas, perturbando a estabilidade, provocando as convenções, destruturando a racionalidade. ATLAS é o resultado de uma reflexão a partir das imagens que tenho registado nos últimos 5 anos. Uma consideração sobre o quotidiano na tentativa de compreensão do mundo contemporâneo. 

Exposição no CAE Figueira da Foz - Sala Afonso Cruz 3 Fev-Mar 2015